Herança Digital no Brasil: Desvendando os Mistérios da Era Digital
- Ramona Gonçalves Bermudes
- 5 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Como lidar com o patrimônio construído digitalmente? Posso fazer testamento?

No mundo cada vez mais virtualizado, a herança digital se torna um tema cada vez mais relevante. Com o crescente valor dos bens digitais, como contas de redes sociais, e-mails, fotos, arquivos armazenados na nuvem e, claro, as famosas milhas aéreas, surge a dúvida: o que acontece com esses bens após a morte do titular?
No Brasil, a herança digital ainda é um terreno inexplorado no âmbito jurídico. O Código Civil, em vigor desde 2002, não acompanhou a velocidade da era digital e não contempla explicitamente essa modalidade de herança. Isso significa que a legislação brasileira ainda não define o destino dos bens digitais após a morte do seu titular.
Um Cenário de Incertezas e Disputas:
Essa lacuna legal abre espaço para incertezas e disputas entre herdeiros, familiares e empresas que administram os bens digitais.
Herdeiros: De um lado, os herdeiros podem reivindicar o direito de herdar os bens digitais do falecido, argumentando que esses bens possuem valor patrimonial, sentimental ou até mesmo profissional.
Empresas: Do outro lado, as empresas que administram os bens digitais, como plataformas de redes sociais, serviços de armazenamento em nuvem e programas de fidelidade, alegam dificuldades em identificar os herdeiros legítimos e em transferir a titularidade dos bens de forma segura.
Em Busca de Respostas: Uma Jornada nos Tribunais Brasileiros:
Na ausência de uma lei específica, a jurisprudência brasileira vem se consolidando gradativamente por meio de decisões judiciais em casos concretos.
Alguns juízos já reconheceram o direito à herança digital, permitindo que herdeiros acessem e gerenciem os bens digitais do falecido, mediante a apresentação de documentação comprobatória e a observância das regras de cada plataforma.
Outros juízos, por outro lado, negaram o direito à herança digital, fundamentando suas decisões na natureza pessoal e intransferível de alguns bens digitais, como perfis em redes sociais.
Um Projeto de Lei para Trazer Clareza:
Em 2024, um projeto de lei que propõe a atualização do Código Civil Brasileiro foi apresentado no Senado Federal. O projeto inclui a regulamentação da herança de bens digitais, definindo critérios para a transferência da titularidade dos bens, a proteção de dados pessoais e a resolução de conflitos entre herdeiros e empresas.
O que Fazer Enquanto isso?
Enquanto a legislação brasileira ainda está em desenvolvimento, algumas medidas podem ser tomadas para organizar sua herança digital e evitar problemas futuros:
Crie um testamento digital: Um testamento digital é um documento eletrônico que registra seus desejos sobre o destino de seus bens digitais após sua morte.
Compartilhe suas senhas com pessoas de confiança: Designe pessoas de confiança para acessar seus bens digitais em caso de falecimento, com instruções claras sobre como gerenciá-los.
Negocie com as empresas: Entre em contato com as empresas que administram seus bens digitais e verifique suas políticas sobre herança e transferência de titularidade.
Busque orientação jurídica: Consulte um advogado especialista em direito sucessório para obter orientação sobre seus direitos e como planejar sua herança digital de forma segura e eficaz.
Conclusão:
A herança digital é um tema complexo e em constante evolução no Brasil. Acompanhe as novidades na legislação, busque orientação profissional e organize seus bens digitais para garantir um futuro tranquilo para você e seus herdeiros.
RGB Advocacia
Escritório especializado em planejamento sucessório.




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